segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Seminário de Construção do Projeto Educacional da Rede Solidária da Pesca é realizado no Rio de Janeiro


De 27 a 30 de julho foi realizado o Seminário de Construção do Projeto Educacional da Rede Solidária da Pesca. O pressuposto do Seminário foi o da construção coletiva dos princípios e diretrizes do Projeto Educacional, buscando a articulação e a dialogicidade entre os diversos saberes presentes.

O encontro contou com a participação de mais de 30 técnicos e trabalhadores da cadeia produtiva da pesca artesanal e da aquicultura familiar dos quatro territórios abrangidos pela Rede: Litoral Fluminense (RJ); Alto e Médio São Francisco (MG); Alto Amazonas (AM); Baixo e Médio Amazonas (PA).

Estiveram presentes representantes da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES/MTE) – inclusive o Secretário Prof. Paul Singer –, do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), do Ministério da Educação e da Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro. Vale citar a contribuição dos mestres Carlos Rodrigues Brandão (Instituto Paulo Freire) e Michel Thiollent (UFRJ).

O seminário foi um espaço muito rico para a reflexão sobre a definição de um projeto educacional voltado aos pescadores artesanais e aquicultores familiares pautado nas diversas experiências educativas que já estão sendo desenvolvidas em diversas regiões de nosso país.

Poder dialogar com diversos atores envolvidos em ações educativas com pescadores nos permitiu decidir caminhos e pressupostos que darão suporte as nossas ações dentro de uma compreensão comum do significado da formação social e no marco de princípios norteadores que serão fundamentadas às atividades educativas previstas. Importante ressaltar que o seminário cumpriu o papel de ser ao mesmo tempo um espaço de definição e concretização das ações, mas também de formação e reflexão teórica e conceitual sobre a identidade da Rede Solidária da Pesca.

O acúmulo das discussões ocorridas nos permitiu ter uma visão sobre os projetos de formação social que vamos desenvolver, definir os próximos passos, como a oficina de formação de formadores e iniciar o planejamento executivo das atividades nos diversos territórios.

As principais resoluções do encontro foram:

1. Princípios Educativos da Rede Solidária da Pesca
2. Definição das duas Oficinas de Formação de Formadores, no Rio de Janeiro e no Pará
3. Definição das linhas gerais da pesquisa que acompanhará a elaboração do Projeto Educacional da Rede Solidária da Pesca
4. Plano de Trabalho e definição das equipes pedagógicas locais e nacional.


Agora, é "por a mão na massa"! Parabéns a todos e todas que participaram de mais um momento de sucesso das ações da Rede Solidária da Pesca. Em breve vamos postar a sistematização dos trabalhos e o relatório do seminário.

Abaixo, transcrevo os princípios educativos da Rede Solidária da Pesca:

1. Concepção ampla da educação, reconhecendo como espaços educativos o mundo da vida.
2. Articulação entre educação e trabalho, buscando a não dissociação entre teoria e prática e que estimule a politecnia.
3. Uma educação que seja desenvolvida dentro de um processo contínuo
4. Uma educação que compreenda e respeite os diversos saberes existentes como saberes diferentes, que construa sínteses entre saber científico e saber tácito.
5. Uma educação que se estruture a partir da compreensão e do respeito ao tempo e do resgate e da valorização da cultura do pescador.
6. Uma educação voltada ao fortalecimento dos empreendimentos econômicos ligados a Rede Solidária da Pesca e a articulação destes com a Economia Solidária.
7. Uma educação comprometida politicamente com a emancipação dos trabalhadores da pesca da aquicultura familiar.
8. Uma educação dialógica e participativa, que não seja a simples transferência de conteúdos e informações.
9. Uma educação que parta das necessidades dos pescadores, que esteja ligada a um profundo conhecimento da realidade sócioambiental e da linguagem desses trabalhadores.
10. Uma educação baseada na construção histórico-crítica do saber.
11. Uma educação para impulsionar e expandir a gestão compartilhada dos recursos naturais e a sustentabilidade da pesca artesanal e da aquicultura familiar.
12. Uma educação para a cidadania que busque a equidade de genero, etnia e sexual.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Veja a Programação Final do Seminário de Construção do Projeto Educacional da Rede Solidária da Pesca!


Está finalizada a programação. Depois de algumas modificações por causa de conflitos entre as agendas dos diversos participantes, estou postando a programação finalíssima, aquela que, de fato, organiza o Seminário de Construção do Projeto Educacional da Rede Solidária da Pesca.

O seminário acontecerá na ASSUNÇÃO - ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL E DE AÇÃO SOCIAL - CENAM – Centro de Acolhida Missionária, R. Almirante Alexandrino, 2023 – Santa Teresa - Tels.: (0xx21)2224-9963 - (0xx21)2252-5931, Rio de Janeiro.

São aproximadamente 40 pessoas já confirmadas, vindas de Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará, Amazonas, São Paulo e Bahia. Todos e todas com o objetivo comum de elaborar e definir o projeto educacional de nossa rede.

Para fazer o download da Programação do seminário em pdf,clique aqui.
Para baixar o folder do evento, clique aqui.
Para baixar a carta que orienta e explica melhor o contexto em que se desenvolve o seminário e sua metodologia, clique aqui.

Nos encontramos lá!

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Está chegando a hora! Confira os convidados e a programação do Seminário de Construção do Projeto Educacional da Rede Solidária da Pesca

Está se aproximando o Seminário de Construção do Projeto Educacional da Rede Solidária da Pesca. No início da próxima semana estarão reunidos no Rio de Janeiro pescadores, técnicos e professores de diversas partes e territórios brasileiros.

Amazonas, Pará, Minas Gerais, Brasília, Bahia e Rio de Janeiro estarão representados por pessoas ligadas a nossa rede e convidadas que estarão trabalhando coletivamente para construir o Projeto Educacional da Rede Solidária da Pesca e os fundamentos das ações educativas que serão executadas pelos territórios da rede durante dois anos.

Podemos destacar a presença de alguns ilustres e conhecidos convidados, que contribuirão muito com o seminário, como o do Prof. Carlos Rodrigues Brandão (UNICAMP,UFU E UNIMONTES), o Prof. Michel Thiollent (PEP-UFRJ) e o Prof. Paul Singer (USP e SENAES).

Além deles, tão importantes quanto, os pescadores de Minas Gerais, do Pará, do Amazonas e do Rio de Janeiro estarão também participando e construindo coletivamente nossos princípios educativos.

Tem que ir lá pra ver!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Pescadores tradicionais temem mais prejuízo com nova lei


Matéria do Jornal Campo Grande News sobre modificações da lei sobre a pesca no estado e os impactos sobre os pescadores tradicionais. Quem quiser ler no original, clique aqui.

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009 12:10

Danúbia Burema
Marcelo Victor

Marilza conta que nos últimos três anos, a renda do marido diminuiu de R$ 1.000,00 para menos de R$ 800,00. “Agora o meu marido tem que subir para pescar no Pantanal”, revela.
Nesta tarde, cerca de 300 pescadores de comunidades nos municípios de Bataguassu, Coxim, Corumbá, Miranda, Aquidauana e Fátima do Sul irão discutir e apresentar sugestões para complementar a Lei da Pesca, em tramitação na Assembléia para regulamentar a atividade no Estado.

A polêmica veio à tona justamente na época da 3ª Conferência Estadual de Aquicultura, evento realizado até está quarta em Campo Grande, também promovido em diferentes regiões do Brasil como preparação para a Conferência Nacional, em Brasília (DF), em setembro.

O encontro ocorre desde ontem, no auditório da Escola Maria Constança de Barros, em Campo Grande, e tem como objetivo discutir as alternativas e os incentivos de que eles necessitam para o setor.

A discussão pelo estabelecimento de uma Lei da Pesca para o Estado teve início em 2007, e teve quatro audiências públicas para discutir a questão que logo virou polêmica.

Neste ano, o Governador André Puccinelli (PMDB) encaminhou projeto de lei referente a Pesca para votação na Assembléia Legislativa. Mas logo a proposta começou a sofrer ataqques da oposição, de prefeitos da bacia do Paraguai e entidades.

Desde que foi apresentado, o projeto já recebeu pelo menos 48 emendas. Dentre os pontos mais polêmicos está a liberação da pesca utilizando petrechos como redes e anzol de galho.

O receio dos profissionais do setor é de que toda essa polêmica acabe prejudicando pescadores tradicionais. Isso porque a lei prevê, dentre outras coisas, a liberação da pesca para barcos estrangeiros, o que irá deixar a concorrência desleal para os ribeirinhos.

De acordo com o superintendente federal de Aquicultura e Pesca, Valteci Ribeiro de Castro Júnior, a criação de uma lei para regular a pesca no Estado é necessária, para que o setor deixe de ser regulado apenas por portarias e regulamentações.

Entretanto, ele destaca que é necessário que essa lei contemple também os interesses dos pescadores tradicionais. “Uma Lei da Pesca não pode discriminar pescadores artesanais”, pontua.

Ribeirinhos - “A gente é marginalizado, não é reconhecido por ninguém e nem é beneficiário de nada”, afirma o pescador José Maria Toagliari Flora, de 55 anos, que vive no município de Bataguassu e sobrevive da pesca há pelo menos 25 anos. Ele reclama que como pescador profissional não tem direito sequer a um financiamento bancário para comprar barco e materiais de trabalho.

Outra reclamação é que a classe não consegue se aposentar pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) por tempo de serviço. “Mesmo que eu tenha 35 anos de serviço, com 40 eu não me aposento”, conta.

Para José Maria, especialista na pesca de Pintados e Tucunarés, a permanência no ramo é principalmente por ‘gostar do que faz’, porque além de não ter incentivos, a classe de pequenos pescadores é a menos beneficiada pela Legislação.

Dificuldades - Além da falta de incentivos na própria legislação e com os lucros diminuindo ano a ano, os pescadores ainda enfrentam resistências e dificuldades para continuar seu trabalho.

José Maria conta que quando precisa passar dias fora de casa pescando não tem sequer lugar onde possa parar. Isso porque os pescadores artesanais não têm autorização para pescar nos lagos de hidrelétricas, e nos rios há uma série de proibições.

Apesar disso, a última opção ainda é a mais viável. Entretanto, os trabalhadores ficam sem terra firme para estabelecer acampamento. “Os fazendeiros não deixam a gente acampar nas margens dos rios”, afirma.

Com isso, ele tem de passar a maior parte do tempo no barco. “Mas como é que eu vou fazer comida dentro do barco no rio”, questiona.

Alternativa - Para complementar a renda dos maridos pescadores, um grupo de dez mulheres de uma comunidade ribeirinha de Corumbá criou a Associação Amor Peixe, utilizando o couro do peixe para fabricar bolsas, agendas e assessórios.

O trabalho deu tão certo que já apresentado em rede nacional no Programa Domingão do Faustão, em janeiro deste ano.

Além da habilidade para trabalhar o couro do peixe, as mulheres têm em comum a preocupação com o futuro dos maridos pescadores. “Para eles só ficam as proibições. Agora querem proibir de vez até o anzol de galho”, afirma Marilza Maria de Campos, mulher de pescador e integrante da Associação.

A mulher reclama que os ribeirinhos se sentem desprotegidos pela legislação e as proibições só dificultam o trabalho dos pequenos. Para ela, petrechos como o anzol de galho e tarrafas deveriam ser permitidos aos pescadores profissionais. “Senão o pescador fica de pés e mãos atados”, reclama.

Marilza conta que nos últimos três anos, a renda do marido diminuiu de R$ 1.000,00 para menos de R$ 800,00. “Agora o meu marido tem que subir para pescar no Pantanal”, revela.

Segundo a ribeirinha, a situação é tão preocupante que até os peixes na região têm sumido nos últimos anos.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Confira a programação do Seminário de Construção do Projeto Educacional da Rede

Postamos hoje um panfleto com informações sobre objetivos, metodologia e programação do "Seminário de Construção do Projeto Educacional da Rede Solidária da Pesca. Estamos à aproximadamente 20 dias da realização do seminário, que acontecerá no Rio de Janeiro. Já estamos confirmando a presença de ilustres convidados, como o Prof. Carlos Rodrigues Brandão - UNICAMP/UNIMONTES e outros, como o Prof. Michel Thiollent (PEP/UFRJ) e o Prof. Moacir Gadotti (Instituto Paulo Freire e USP) estamos ainda aguardando a confirmação.

Importante ressaltar que esse seminário tem uma importância estratégica para a Rede Solidária da Pesca, pois desencadeará a execução das ações educativas da rede em 2009 e 2010 de dois projetos conquistados: "Educação e Trabalho em Rede a formação social dos trabalhadores da pesca artesanal e de pequena escala na Rede Solidária da Pesca" - PLANSEQ ECOSOL (SENAES/MTE); "Projeto de Realização de Oficinas para Capacitação dos Trabalhadores da Pesca em Elaboração e Gestão de Projetos" - SEAP.

Nesse sentido, convocamos todos os territórios que compõem a Rede Solidária da Pesca e parceiros de jornada a congregar-se conosco em mais esse capítulo de nossa história. Se você quiser baixar o folder em pdf, basta clicar aqui.

Aguardamos vocês. Até lá!



quinta-feira, 11 de junho de 2009

Representantes da Rede Solidária da Pesca participam de curso sobre Cadeia de Valor em Iraduba/AM a convite do CEPAM/AM


A convite do CEPAM/Instituto Chico Mendes - ICMBio (Centro de Pesquisa e Gestão da Biodiversidade Aquática e dos Recursos Pesqueiros Continentais da Amazônia) três integrantes da Rede Solidária da Pesca (Vera Maciel e Fátima Karine do SOLTEC/UFRJ - RJ - litoral fluminense e José Andrade (UNIMONTES/NUPASA - MG - alto médio São Francisco) participaram do curso de capacitação em "Cadeia de Valores – Metodologia Value Links", com ênfase nos recursos pesqueiros, que ocorreu durante o período de 1 a 4 de junho de 2009, na cidade de Iranduba/AM, próximo a Manaus.

Esse curso foi viabilizado pelo CEPAM em parceria com a Cooperação Técnica Alemã – GTZ, o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas – IDAM, o Projeto Aquabio e o Sebrae/AM.

O objetivo principal da oficina foi "conhecer e descrever a metodologia de fomento a cadeias de valor – Value Links - com enfoque na sociobiodiversidade, construir equipes interdisciplinares para desenhar e implementar processos de fomento de cadeia de valor e incorporar as orientações metodológicas do fomento à cadeia de valor no trabalho diário,buscando capacitar possíveis multiplicadores na metodologia para apoiar nas futuras oficinas, iniciando a aplicação da mesma e buscar a criação de uma rede temática".

Durante quatro dias de intensos estudos, debates e reflexões sobre as relações econômicas que envolvem o mercado do pescado, o curso se estruturou em momentos conceituais com exposições do facilitador Gunter (GTZ) intercalados a momentos de exercícios práticos e dinâmicas onde se constriu, ao final do curso, o mapa da cadeia de valor do Pirarucu, Tambaqui, Peixes Ornamentaise e outros produtos da sociobiodiversidade.

A marca desse curso foi a diversidade de entidades presentes e a riqueza das discussões, que traziam à tona todas as problemáticas e dramas existentes na cadeia de valor dos diversos pescados amazônicos, problemas e potencialidades que os pescadores artesanais enfrentam todos os dias em seu trabalho na floresta.

Ao final, a participação da RSP teve um saldo bastante positivo. Foram aprendidas ferramentas de análise econômica importantes e que auxiliarão em muito as ações da Rede Solidária da Pesca voltadas aos empreendimentos econômicos e aos cursos de formação que serão realizados ainda esse ano e que se estenderá até a metade de 2009. Além disso, abriram-se, seguramente, potenciais novas parcerias com a Rede Solidária da Pesca no território alto e baixo amazonas.

Vale destacar a belíssima condução dos trabalhos pelo instrutor do curso, Gunter, que nos facilitou em muito o entendimento das ferramentas. E agora, nos fica a responsabilidade de replicar esse curso nos territórios de nossa rede.

É a Rede tecendo e se multiplicando na prática...